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Psicopedagogia

31 jul

O Ensino da Matemática e a Escola do Século XXI

O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram.

Jean Piaget

Por Rosiane de K. Pereira*

O presente trabalho objetiva a uma reflexão sobre a Matemática não se tornar uma vilã na vida de nossos alunos e sim uma fonte de conhecimento para que o estudante saiba contar, comparar, medir, calcular, resolver problemas, construir estratégias, comprovar e justificar dados, argumentar logicamente, conhecer figuras geométricas, organizar, analisar e interpretar criticamente as informações e conhecer formas diferenciadas de abordar problemas.

Segundo Dante[1], essas são as funções básicas da Matemática, as quais promovem o exercício da cidadania.

Primordialmente, deve ficar claro aos professores, aos alunos e à sociedade que o problema da escola e o problema para os alunos não é a Matemática, a Língua Portuguesa, a Física, etc.

Sendo assim, começar-se-á com uma palestra a partir da apresentação de Viviane Mosé[2] em 2009 no Café Filosófico. A filósofa propõe ao telespectador uma reflexão sobre o formato da escola. Não é só o professor tradicional com seu giz e lousa que prejudica hoje, em pleno século XXI, o processo de ensino e aprendizagem do aluno.

Infelizmente a base escolar está ainda no seu molde ditatorial semelhante a presídios. Como uma escola pode exigir que seu professor seja mediador, autêntico e criativo se ele lida com os seguintes elementos dentro da nossa escola: Disciplina, grade curricular, prova, carteiras separadas e enfileiradas?

Como esse professor consegue viver na contradição da teoria com a prática? Pátio, por exemplo,vem de patere do latim que significa “aberto, amplo, visível”[3].

Entretanto o pátio o qual vislumbramos hoje significa Terreno murado, anexo a um edifício. Recinto descoberto, no interior de um edifício ou rodeado por edifícios.[4]

A fala da Viviane Mosé traduz perfeitamente o perfil da escola, o qual almeja a uma transformação, contudo ainda fragmenta o saber. Enquanto a escola estiver FRACIONANDO o conhecimento, ensinar Matemática, Ciência, História, será sempre um trabalho árduo para o professor cuja ideologia está atada ao esquema prisão, rótulo, fragmentação.

Essa reflexão precisa chegar ao educador, do latim educator (o que cria, nutre; diretor, educador, pedagogo), para que ele seja o agente transformador desse ensino retrógado.

E este pensamento é primordial para se suavizar os problemas que os alunos encontram com a matemática, assunto agora tema deste trabalho.

Não seria coerente falar diretamente sobre as tendências da matemática no ensino sem que se colocasse a raiz do problema. Agora que esta está esclarecida a partir das colocações de Viviane Mosé, iniciar-se-á as reflexões sobre a Matemática.

Lamentavelmente, a Matemática veio trazendo poucas paixões e muito ódio. Grande parte dos alunos não consegue lidar com o conteúdo lecionado em sala de aula e por achar aquelas contas “de outro mundo” acabam perdendo o interesse e, por conseguinte, a compreensão.

Luiz Roberto Dante[5] afirma que o saber informal da matemática que existe no nosso dia a dia precisa se incorporar ao trabalho matemático escolar, diminuindo a distância entre a Matemática da escola e a Matemática da vida. Quando o aluno perceber que aquele conteúdo visto em sala pode ser aplicado na casa dele, nos brinquedos dele, na rua, o desejo em conhecer mais sobre aquilo de certo aparecerá.

Para Dante[6], o motivo dos alunos detestarem a matemática pode ser atribuído ao exagero no treino de algoritmos e regras desvinculadas de situações reais.

Uma outra questão que afligi nossos alunos em relação à Matemática é a interpretação de texto e o professor precisa ter a sensibilidade de perceber em que o aluno está se equivocando, porque muitas vezes o problema não é com a Matemática e sim com a Língua Portuguesa. Dessa forma, o professor deve expor ao aluno qual é a real dificuldade dele para que este possa aprimorar os estudos naquele conceito e para que aquele possa reorientar o aluno. E caso o problema seja com a interpretação das questões, dos problemas, seria interessante que o professor de Matemática buscasse respaldo com o professor de Português, pois ambos poderiam criar atividades que favorecessem nas duas matérias. Tanto que o Dante em seu material didático aconselha aos professores que façam trabalhos interdisciplinares como a leitura de uma notícia de jornal com dados numéricos, pedir que os alunos formulem problemas com dados obtidos em folhetos, jornais e revistas e resolvê-los, pedir uma redação descrevendo como interpretam um gráfico presente em jornal ou em revista, a fim de aprimorar a interpretação de texto dos alunos. Inclusive até para se inserir a comunicação matemática na vida do aluno, é imprescindível a participação do professor de Língua Portuguesa.

“A língua materna é parcialmente aplicada no trabalho matemático, já que os elos de raciocínio matemático apoiam-se na língua, em sua organização sintática e em seu poder dedutivo”.  (STOCCO, Kátia; DINIZ, Maria. P.17)

Para Stocco e Diniz, o professor deve estimular seu aluno a se comunicar matematicamente em suas aulas, pois assim ele explorará muito mais o conteúdo e conseguirá organizar e conectar seus pensamentos para ter uma interpretação do conteúdo.

E ainda segundo as autoras:

Quando se trata de matemática, sempre que pedimos a uma criança ou a um grupo para dizer o que fizeram e por que o fizeram, ou quando solicitamos que verbalizem os procedimentos que adotaram, justificando-os, ou comentem o que escreveram, representaram ou esquematizaram, relatando as etapas de sua pesquisa, estamos permitindo que modifiquem conhecimentos prévios e construam novos significados para as idéias matemáticas. Dessa forma, simultaneamente, os alunos refletem sobre os conceitos e os procedimentos envolvidos na atividade proposta, apropriam-se deles, revisam o que não entenderam, ampliam o que compreenderam e, ainda, explicitam suas dúvidas e dificuldades. (STOCCO, Kátia; DINIZ, Maria. P. 17)

Dessa forma, a “escola seriada”, como Mosé retrata, afasta muitas vezes o professor da interdisciplinaridade e da contribuição das outras matérias. E o que fica para o aluno são pensamentos fragmentados, aulas fragmentadas, a ponto deste expor que prefere Matemática a Língua Portuguesa porque tem dificuldades em interpretar textos e em elaborar produções escritas. Esta concepção inadequada pode ser ainda mais desfavorável quando o próprio docente escolheu como profissão a área de exatas porque acredita que Língua Materna está distante do Ensino da Matemática.

A Produção de textos nas aulas de matemática cumpre um papel importante para a aprendizagem do aluno e favorece a avaliação dessa aprendizagem em processo.

Organizar o trabalho em matemática de modo a garantir a aproximação dessa área do conhecimento e da língua materna, além de ser uma proposta interdisciplinar, favorece a valorização de diferentes habilidades que compõem a realidade complexa de qualquer sala de aula. (STOCCO, Kátia; DINIZ, Maria. P. 29)

No capítulo três “Ler e aprender Matemática”, as autoras apresentam a importância do trabalho com a leitura nas aulas de Matemática como podemos perceber na seguinte fala:

… os alunos devem aprender a ler matemática e ler para aprender matemática durante as aulas dessa disciplina, pois para interpretar um texto matemático, o leitor precisa familiarizar-se com a linguagem e os símbolos próprios desse componente curricular, encontrando sentido no que lê, compreendendo o significado das formas escritas que são inerentes ao texto matemático, percebendo como ele se articula e expressa conhecimentos. (STOCCO, Kátia; DINIZ, Maria. P. 71)

As possibilidades de atividades dadas por elas são direcionadas para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental I, entretanto podem ser adaptadas ao Ensino Fundamental II e Médio como o Dicionário de Matemática, um quebra-cabeças de problemas (em que os alunos precisam organizá-los antes começar a resolvê-los), um jogo de associar o problema a sua operação, a análise de problemas para ser observar semelhanças e diferenças entre eles, a leitura de um poema para que os alunos possam ilustrá-lo por meio de formas geométricas, a problematização de um artigo de jornal ou revista e leitura de gráficos e tabela. Pressupõe-se que trabalhando dessa forma, o aluno possa se simpatizar com a matemática a ponto de ao seu redor, fazer observações pertinentes aos conteúdos abordados em sala de aula.

O livro do Luiz Roberto Dante, mencionado na referência 6, todos os professores de Matemática deveriam fazer a leitura. Um livro simples, com uma linguagem de fácil acesso, o qual fala sobre a resolução de problemas de matemática. E temos que priorizar esse conteúdo matemático, pois “o currículo da matemática deve ser organizado em torno da resolução de problemas” (NCTM – Conselho Nacional de Professores de Matemática EUA, 1980). Esse autor começa explicando o que é um problema, depois o que é um problema matemático para em seguida apresentar os objetivos para com esse assunto e sua aplicabilidade. E constata-se que para falar das situações problemas em primeiro lugar é preciso recorrer aos estudos das duas autoras mencionadas, porque a principal estratégia que o professor deve passar ao seu aluno para se resolve o problema é compreendê-lo, novamente voltamos para a união das duas grandes matérias das nossas escolas.

O professor pode utilizar os exemplos de problemas apresentados nesse livro de Dante para trabalhar em conjunto com a Língua Portuguesa. O trabalho será enriquecedor com as sugestões didáticas exploradas no livro.

A partir de todo o material coletado, fica visível que o professor é o agente transformador e que o ensino não deve ser tradicional da forma que ele foi educado. Por outro lado, o professor não deve achar que o bom ensino da matemática é só com jogos e aulas 100% dinâmicas. Certamente, o professor precisa se atualizar sempre para que ele encontre o sentido em se ensinar determinados conceitos e não cai no deslize de traumatizar seus alunos com memorização.

A forma como o construtivismo chegou ao Brasil ficou só na fala de estudiosos e houve uma ausência de estudos teóricos e reflexivos dentro das escolas. Simplesmente, a fala da direção e da coordenação, muitas vezes esteve embasada no “senso comum”, era contra o ensino tradicional e a favor de aulas dinâmicas para que o aluno se sinta autor de seu processo de aprendizagem.

Porém a defasagem de leitura no Brasil não está só com as crianças, com os adolescentes, com os jovens, está também com os adultos e infelizmente com os profissionais da Educação, os quais em sua maioria reproduz a fala da direção ou critica esta fala por acomodação.

De fato o ensino dos conteúdos na escola precisa ser repensando, entretanto a reflexão só chega ao seu ápice a partir de leituras e de um currículo escolar diferenciado para que o ensino possa ser construtivista na sua totalidade.

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*Rosiane de Kassia Pereira, aluna do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia da Universidade Metodista de São Paulo e graduada pela mesma Instituição no curso de Letras Português/Inglês.

Bibliografia

 

DANTE, Luiz Roberto. Didática da Resolução de Problemas de Matemática. Ed. Ática 1995.

DANTE, Luiz Roberto.  Tudo é Matemática. Ed. Ática – Material didático de 6º ao 9º ano. Material Didático.

STOCCO, Kátia Smole; DINIZ, Maria Ignez. Ler, escrever e resolver problemas – Habilidades básicas para aprender matemática. Ed. Artmed 2001.


[1]Dante, Luiz Roberto.  Tudo é Matemática. Ed. Ática – Material didático de 6º ao 9º ano.

[5] Idem referência 1.

[6] Dante, Luiz Roberto. Didática da Resolução de Problemas de Matemática. Ed. Ática. P. 13

Quem deve discutir língua é linguista!

31 mai

Vamos ler e ler para não corrompermos ainda mais nossas mentes com discursos pagos, calculistas e ignorantes!

27/05/2011 – Fonte: Comunicação Artigo

O leitor me responda uma coisa: você já ouviu um biólogo dizer que uma maçã está errada? Já ouviu um astrônomo dizer que o Sol não existe? Mas certamente você já ouviu que determinada forma de falar está errada, ou não existe, mesmo que você já a tenha lido e ouvido milhões de vezes, da mesma forma que você já viu o Sol e uma maçã. O Sol e a maçã existem, mesmo que eu não goste deles. Então não tomo sol e como outras frutas, mas não posso condenar as pessoas que adoram se bronzear ou são fanáticas por maçãs! O mesmo se dá com os fatos linguísticos. “Nós pega o pexe” é um fato, goste dele ou não. Da mesma forma que os demais cientistas, um linguista jamais dirá que esse fato é errado ou feio. A imprensa brasileira fez, nesta última semana, verdadeiro estardalhaço a respeito do livro Por uma vida melhor, escrito pela professora Heloísa Ramos, e indicado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Todos os grandes jornais e revistas que circulam pelo país se manifestaram veementemente contra o livro (e, por extensão, contra a equipe do MEC e o Ministro Fernando Hadad), abrindo espaço para o posicionamento de vários “especialistas”: membros da ABL, professores que ganham a vida ditando regrinhas na TV ou em colunas de jornais, autores de manuais de redação e estilo… Curiosamente, nenhum linguista foi chamado por esses mesmos canais de comunicação para dizer o que pensa. Sobre esse assunto, Marcos Bagno, um dos vários linguistas que não têm sequer uma linha de espaço na imprensa brasileira quando o assunto é justamente língua, escreveu um belo artigo em seu site (www.marcosbagno.com.br) que se inicia da seguinte maneira: “Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.” O livro de Heloísa Ramos é um dos poucos que, de forma científica – e consequentemente isenta de preconceitos e de zombaria -, descreve uma forma de falar que permite aos alunos e alunas provenientes das “classes populares” se reconhecerem no material didático e perceberem que a maneira como falam não é errada ou feia, mas diferente daquilo que a tradição normativa tenta preservar a qualquer custo. Em nenhum momento a autora propõe que o estudante saia falando “nois pega o pexe” a torto e a direito. O que ela faz, com invejável lucidez, é defender o respeito á variedade linguística, deixando claro que o falante tem todo o direito de, conhecendo as várias formas de manifestação linguística, escolher aquela que ele achar adequada a determinada situação de fala, arcando com os julgamentos sociais que isso acarreta. Ela, assim como qualquer cientista da língua, jamais defendeu a ideia de que os usuários das variedades linguísticas estigmatizadas devam permanecer excluídos do acesso às variedades cultas; ao contrário, todos concordamos que a escola tem o dever de introduzir o estudante ao mundo da cultura letrada e dos discursos que essa cultura letrada aciona. A escola precisa ensinar aquilo que ele não sabe, mas não pode desprezar aquilo que ele conhece e, muitas vezes, prefere. É por essa razão que, apesar de eu não gostar, eu sei que Sol e maçãs fazem bem à saúde. Alguns cientistas, via escola, já me ensinaram isso. Então, quando eu preciso e quero tomar um pouco de sol ou comer maças, sei como, onde, quando e por que fazê-lo.

 Clarice Assalim é Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo – USP. Docente nos cursos de graduação do Centro Universitário Fundação Santo André – Autora dos livros “Afinal, estamos de Acordo! – O (novo) Acordo Ortográfico”, e “A Leitura como Ofício – Volume I” e “A Leitura como Ofício – Volume II” pela editora Porto de Idéias.

Canção do Exílio

25 mar
Minha terra tem campos de futebol, onde cadáveres amanhecem emborcados pra atrapalhar os jogos. Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz “tuim” na cabeça da gente. Tem também muros de bloco (sem pintura, é claro, que tinta é a maior frescura quando falta mistura) onde pousam cacos de vidro pra espantar malandro. Minha terra tem HK, AR15, M21, 45 e 38 (na minha terra, 32 é uma piada). As sirenes que aqui apitam, apitam de repente e sem hora marcada. Elas não são mais as das fábricas, que fecharam. São mesmo é dos camburões, que vêm fazer aleijados, trazem intranqüilidade e aflição.
Fernando Bonassi
Os anos passam e a Canção do Exílio se transforma… “É pra rir ou pra chorar?”

O homem sertanejo e o homem interiorano

4 set

Tanto Os Sertões como Urupês atacaram o nativismo e o ufanismo romântico. A intenção dessas obras pré-modernistas é denunciar e mostrar as mazelas de um determinado grupo social: sertanejo, caboclo.  Mesmo esse sendo o objetivo, as duas obras abordam ideias diferentes em relação ao homem menos favorecido.

Euclides da Cunha retrata o homem sertanejo e Monteiro Lobato, o interiorano.

Os Sertões apresenta o sertanejo como um forte, apesar da aparência fraca, mas na descrição do homem “mestiço”. Euclides da Cunha acaba por adotar um conceito preconceituoso por seguir a doutrina evolucionista, julgando prejudicial a mistura de raças, porque o “mestiço” (mulato mameluco e cafuso) é um ser fraco, pois não possui força nem intelectualidade. Isto pode ser comprovado com o seguinte trecho:

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.”

A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempenho, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.

Um termo que ilustra a característica do sertanejo é o “Hércules – Quasímodo”, que é justamente um paradoxo do sertanejo.

Urupês, conto de Monteiro Lobato, inclui o homem interiorano como o símbolo do atraso e da ignorância, representado pelo Jeca Tatu. O próprio termo “urupês” significa parasitas que vegetam no oco da madeira. Uma visão extremamente radical do homem rural paulista. Ele é visto como o “caboclo que vegeta de cócoras”, que “antes de agir, acocora-se”, que não apresenta qualidade e beleza.

Nem na presença de Floriano Peixoto, Jeca Tatu se levanta. Não há nada que o faça ser um homem de ação. É o responsável pela devastação e declínio das matas da Mantiqueira.

Depois de algum tempo, Lobato percebeu que tinha “cometido um erro” ao criar o Jeca e como reconhecimento desse erro, ele produziu um pequeno livro Zé Brasil, o qual retoma a figura do Jeca, porém com uma nova realidade. Lobato agora acredita que por mais que o Jeca tenha defeitos, ele é ainda o que existe de mais puro no Brasil. A abordagem é feita a partir de uma sistema econômico falho, cuja função é não fornecer melhores condições aos menos favorecidos, o sistema é culpado por tudo, coberto de hipocrisia, corrupção, e o Jeca é produto da desigualdade social.

Considerando as análises feitas sobre o homem sertanejo e o homem interiorano, encontramos semelhanças e diferenças entre eles.

Uma das semelhanças está no porquê da criação de ambos os homens, os quais, até então, não tinham sido abordados como forma de denúncia. Os autores coincidem também na intenção de quebrar a aproximação com a literatura europeia, que sempre esteve presente nas obras de nossos escritores.

A representação desses dois homens é o verdadeiro repúdio do idealismo romântico.

A diferença entre os personagens se estabelece no momento em que o “sertanejo antes de tudo é um forte” e o interiorano “vegeta de cócoras”. O homem é analisado a partir de visões diferentes, justamente porque Euclides da Cunha esteve presente na Revolta de Canudos como jornalista, acompanhou uma história de um povo sofrido, o qual não deixou de lutar. Por outro lado, Monteiro Lobato parece distante da realidade do homem do interior, sem se envolver. Foi um escritor, neste momento, absorto do contato com o caboclo. Deve ser por este motivo, que ele se redimiu diante de seus leitores e diante de sua própria consciência.

Ane Pereira

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